O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não hesitou ao comentar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por suspeitas de fraudes financeiras. Nesta quinta-feira (14), durante uma visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen, em Camaçari, na Bahia, Lula foi categórico ao afirmar que o assunto se trata de um “caso de polícia”, distanciando-se de qualquer envolvimento direto na apuração.
Questionado por uma jornalista sobre o tema, o presidente deixou claro que a investigação cabe às autoridades competentes. “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, declarou, reforçando a seriedade das acusações que cercam o banqueiro e seu suposto vínculo com o parlamentar.
Vínculos financeiros e a revelação do Intercept
A controvérsia ganhou os holofotes após uma reportagem do portal The Intercept Brasil, divulgada na quarta-feira (13), que detalhou um suposto esquema envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, Flávio teria articulado repasses de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo seria financiar a produção de um filme sobre a trajetória política de seu pai, que governou o país entre 2019 e 2022.
A matéria do Intercept apresentou como evidência um áudio do próprio senador, onde ele menciona a relevância do filme e a necessidade de receber os recursos para quitar “parcelas para trás”. Além disso, a reportagem revelou mensagens de WhatsApp e comprovantes bancários que indicam que parte do valor teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025.
A situação legal de Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, figura central neste enredo, encontra-se preso sob a acusação de liderar uma organização criminosa dedicada a fraudes financeiras. Essas operações teriam sido realizadas por meio do Banco Master, instituição que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central (BC) no fim do ano passado, após constatar a incapacidade de honrar os depósitos e aplicações de seus clientes.
A prisão do banqueiro pela Polícia Federal (PF) ocorreu em um dos desdobramentos da operação que investiga as fraudes. Atualmente, Vorcaro está detido na Superintendência da PF em Brasília e, segundo informações, negocia um acordo de delação premiada. Vale lembrar que o pai de Daniel Vorcaro também foi preso na 6ª fase da Operação Compliance Zero, suspeito de liderar uma “milícia pessoal” do banqueiro, conhecida como “A Turma”.
A defesa de Flávio Bolsonaro e os pedidos de investigação
Após a repercussão da reportagem, Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou as acusações, admitiu ter solicitado o patrocínio e mantido contato com Vorcaro. Em nota divulgada na quarta-feira (13), o senador classificou o assunto como uma “questão privada”, afirmando que se tratava de um filho buscando patrocínio para um filme sobre o pai, sem envolvimento de dinheiro público ou da Lei Rouanet.
Ele explicou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período em que o governo Bolsonaro já havia terminado e não existiam suspeitas públicas contra o banqueiro. O contato teria sido retomado devido a atrasos no pagamento das parcelas de patrocínio. Flávio Bolsonaro negou ter oferecido vantagens indevidas ou intermediado negócios com o governo, reiterando o pedido por uma CPI do Master.
Apesar da defesa do senador, deputados federais da base governista já apresentaram denúncias à Polícia Federal e à Receita Federal. O objetivo é apurar possíveis ilegalidades nas transações e verificar se os recursos têm alguma ligação com propina. O filme, por sua vez, estaria sendo produzido no exterior com equipes e atores estrangeiros, com previsão de lançamento ainda este ano, e envolveria transferências internacionais de uma empresa de Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos, gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto.

