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As urnas eletrônicas, que completam 30 anos de uso no Brasil nesta quarta-feira (13), tornaram-se um pilar fundamental do processo democrático. Contudo, a celebração é acompanhada por um desafio crescente: a proliferação de narrativas de desinformação que buscam minar a confiança no sistema de votação. No sul da Bahia, onde a vida pulsa entre o comércio vibrante de Itabuna, o turismo de Ilhéus e a agricultura de cidades como Uruçuca, a disseminação de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas encontra um terreno fértil, impactando diretamente a percepção dos moradores sobre a lisura das eleições e, consequentemente, sobre o futuro de suas comunidades.

Uma pesquisa recente do Projeto Confia, uma iniciativa do Pacto pela Democracia, revela que mais de 45% dos conteúdos falsos sobre eleições que circularam nos últimos ciclos eleitorais tinham como alvo principal o funcionamento das urnas eletrônicas. Essa constatação acende um alerta para a região, onde o acesso à informação e a forma como ela é consumida podem variar significativamente entre as cidades, moldando a maneira como os eleitores encaram a tecnologia que garante seu direito ao voto.

O alvo da desinformação: detalhes técnicos e a rotina do eleitor

A pesquisa do Projeto Confia detalha que, após as urnas, os conteúdos desinformativos mais comuns miram o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades (27,1%), teorias de fraude na apuração dos votos (21,8%) e desinformação sobre regras e logística eleitoral (15,4%). Contudo, é a urna eletrônica que concentra a maior parte dos ataques, muitas vezes disfarçados de explicações técnicas que exploram o desconhecimento da população.

Em Ilhéus, por exemplo, um trabalhador do setor hoteleiro, que passa o dia atendendo turistas e só tem contato com a urna a cada dois anos, pode se deparar com mensagens que alegam um suposto atraso no botão “confirma” ou que a urna completaria automaticamente os números digitados. Essas narrativas, aparentemente inofensivas, são construídas para gerar estranhamento e alimentar dúvidas. “As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação. Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, explica Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia.

A distância entre o contato esporádico da população com a urna e a compreensão de sua tecnologia favorece a circulação desses boatos. Para um comerciante em Itabuna, que se desdobra entre o atendimento na loja e a gestão de sua família, a oportunidade de verificar rapidamente uma notícia falsa sobre a urna é mínima. A informação, muitas vezes, chega por grupos de WhatsApp, compartilhada por amigos ou familiares, sem que haja tempo ou ferramentas para uma checagem aprofundada. Essa dinâmica é ainda mais acentuada em municípios menores como Uruçuca, onde a comunicação interpessoal e as redes sociais informais desempenham um papel ainda mais central na disseminação de notícias.

Impacto na confiança: um reflexo regional

A confiança nas urnas eletrônicas, embora ainda majoritária, tem mostrado sinais de declínio. Uma pesquisa Quaest divulgada em fevereiro deste ano indicou que 53% dos brasileiros confiam nas urnas, um índice menor que os 82% registrados pelo Datafolha em 2022. Essa queda, sentida em todo o país, ecoa de maneira particular no sul da Bahia.

Em Ilhéus, a população mais jovem, com acesso constante à internet e às redes sociais, pode ser mais exposta a conteúdos desinformativos sofisticados. Já em Itabuna, a diversidade socioeconômica da população pode resultar em diferentes níveis de vulnerabilidade à desinformação. Em Uruçuca, onde a memória do voto em papel pode ser mais presente entre os mais velhos, a desconfiança pode ser alimentada por uma nostalgia de métodos antigos, enquanto os mais jovens podem ser influenciados por narrativas que questionam a modernidade do sistema.

Helena Salvador ressalta a complexidade dessas narrativas: “Ninguém critica as urnas apenas dizendo que elas são ruins, existem explicações bastante sofisticadas online tentando convencer as pessoas de que o sistema não funciona. Isso mostra a importância de tornar mais compreensível o caminho do voto, desde o momento em que o eleitor aperta a tecla até a totalização”. Para os moradores do sul da Bahia, essa compreensão é crucial para garantir que a escolha de seus representantes locais e estaduais seja feita com base em fatos, e não em boatos.

Preparando o terreno para 2026: a importância da informação local

O objetivo do Projeto Confia é entender a origem da desconfiança nas eleições e preparar estratégias de enfrentamento à desinformação para as eleições de 2026. A análise de mais de 3 mil conteúdos publicados em 2022 e 2024, com 716 mensagens selecionadas para análise qualitativa aprofundada, mostra que 326 delas (mais de 45%) continham ataques às urnas eletrônicas.

Para o sul da Bahia, essa preparação significa mais do que apenas desmentir notícias falsas. Significa construir uma ponte de confiança entre a tecnologia e o eleitor. Em cidades como Canavieiras e Una, onde a distância dos grandes centros pode dificultar o acesso a fontes de informação confiáveis, o papel da imprensa local e das lideranças comunitárias torna-se ainda mais vital. É preciso traduzir a complexidade técnica para a realidade do dia a dia, mostrando que a segurança do voto é uma garantia para a voz de cada cidadão.

O Pacto pela Democracia, uma coalizão de mais de 200 organizações da sociedade civil, atua na defesa do Estado Democrático de Direito e no combate à desinformação. Seus esforços são um lembrete de que a vigilância e a educação são ferramentas essenciais para proteger a democracia, especialmente em um cenário onde a informação falsa pode se espalhar com a mesma rapidez que a maré sobe na costa de Ilhéus.

Por que essa matéria é útil para quem mora em Ilhéus?

Para o morador de Ilhéus, esta matéria é mais do que um alerta sobre um problema nacional; é um guia prático para proteger a si mesmo e à sua comunidade. Ao entender que a desinformação sobre as urnas eletrônicas é uma estratégia deliberada, o ilheense pode desenvolver um olhar mais crítico sobre o que recebe em seu celular ou ouve nas conversas do dia a dia. Isso é crucial para que as decisões políticas, que afetam diretamente o turismo, o comércio e a qualidade de vida na cidade, sejam tomadas com base em fatos e não em boatos.

A matéria reforça a importância de buscar fontes confiáveis, como a Agência Brasil, e de questionar informações que pareçam sensacionalistas ou que apelem para a desconfiança. Em uma cidade que depende da estabilidade e da boa governança para prosperar, a capacidade de discernir a verdade da mentira é uma ferramenta poderosa para a manutenção da democracia local e para a escolha de representantes que realmente trabalhem pelo desenvolvimento de Ilhéus e de todo o sul da Bahia. Proteger a urna é proteger o voto, e proteger o voto é garantir que a voz da nossa gente seja ouvida de forma justa e transparente.

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